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    Catarina em Praga

    A Catarina é portuguesa e neste momento é estudante universitária. Quando a conheci, foi em trabalho no ramo da fotografia. E foi através da fotografia que teve a oportunidade de viver e trabalhar em Praga por três meses. Ainda teve tempo para visitar outras cidades europeias, como conta nesta entrevista que poderão ler abaixo.

    1) Como surgiu a oportunidade de ires para Praga?
    A oportunidade de viajar para Praga sugeriu quando menos esperava.
    Ligaram-me quando estava eu de férias com a minha família. Nessa altura tinha dois telemóveis, mas raramente andava com um deles. Nesse dia por coincidência ou não, quando recebi a chamada da minha escola (ETIC Lisboa) a dizer-me que tinha sido uma das alunas convidadas/escolhidas pelo meu coordenador de curso para ir de Erasmus+ (3 meses), tinha os dois telemóveis comigo. Nessa altura ainda não sabia qual seria o meu destino.

    Catarina e o Castelo de Praga  
    Vista do Castelo de Praga
    2) Como foi a tua adaptação à cidade, à língua e aos costumes?
    Quando cheguei, dia 22 de Setembro, com mais duas raparigas da minha escola, não quis acreditar que aquilo estava realmente acontecer. Para além de ter sido a minha primeira viagem de avião (que correu muito bem e comecei adorar andar nele), não estava a acreditar que aquele país seria a minha casa durante três meses. Na altura até pensei que seria pouco tempo para fazermos tudo, mas não foi. Foi tempo suficiente para sentir a verdadeira saudade de casa, da família e dos amigos. Foi tempo suficiente para sentir saudades da minha língua, da moeda, dos costumes de Portugal e principalmente da comida.
    A minha adaptação não foi fácil. Tive uma semana de aulas de checo, para poder aprender o básico da língua, mas se hoje me perguntarem alguma coisa ou se me pedirem para falar, as únicas palavras que vão sair são: “Ahoj” (olá, informal), “Dobrý den” (olá, formal), “Prosím” (por favor), “Pardon” (Desculpe), “Děkuji” ou “Děkuju” (obrigada), “Na shledanou” (uma maneira de despedir alguém).
    Fui obrigada a desenvolver rapidamente o meu inglês, pois as respostas que tinha que dar iam por vezes mais além do meu conhecimento de inglês. Acabou por ser uma mais-valia, pois permitiu-me falar e viajar sozinha para outro país sem ter que levar um dicionário atrás ou um Google Translator. A adaptação à cidade foi fácil. Os transportes públicos estão muito bem pensados, existem inúmeros eléctricos que nos levam a qualquer canto da cidade, ou então basta apanhar o metro para chegarmos em pouco tempo ao destino.
    As pessoas nos cantos escondidos de Praga, onde não existe turismo, são frias e distantes, não gostam propriamente de falar ou de contactar com desconhecidos, não sabem inglês ou pelo menos não se esforçam a tentar ajudar. Infelizmente isto foi um problema, porque não só a “minha” casa estava num desses cantos ocultos, como também, por exemplo, um dia nas compras levei uma hora e pouco só para saber qual era o shampoo indicado para cabelos lisos, porque ninguém no supermercado quis ajudar-me. No fim não trouxe o certo porque as legendas das embalagens dos produtos estão todas em checo, húngaro e eslovaco.
    Nos transportes públicos não se ouve nenhuma pessoa a falar, e quando ouvimos é porque são turistas a passear ou estudantes como nós. Os animais de estimação são permitidos em qualquer lado: transportes públicos, shoppings, restaurantes, lojas de rua, etc. - a não ser que seja algum local especifico ou que tenha alguma placa de proibição. Acerca dos costumes não foi difícil. Algumas situações faziam-me confusão, mas com o tempo fui-me adaptando e adorando cada minuto passado naquela cidade. Houve momentos em que queria voltar para Lisboa, mas houve outros em que esse pensamento nem me ocorria.

    Praga - Charles Bridge (Ponte Carlos)

    3) Quais as maiores dificuldades nesses três meses que estiveste em Praga?
    Uma das dificuldades que tive foi adaptação ao inglês. Tinha muitas dificuldades em expressar-me tanto com quem nos acolheu, como com os nossos parceiros ingleses de casa (que tiveram connosco um mês, até virem os nosso dois colegas do Algarve) e com o meu chefe de estágio. Mas com o tempo e ajuda dos meus “irmãos” de casa fui melhorando e, com a experiência de Erasmus posso dizer que evolui bastante.
    Uma outra grande dificuldade foi o dinheiro. Fazer contas “à vida”, saber quanto poderia gastar em comida, quanto poderia gastar em viagens pela Europa e quanto poderia gastar em saídas e passeios.

    4) O que trouxeste de melhor desta viagem/experiência?
    É uma pergunta difícil, mas também muito geral. O que trouxe de melhor sem dúvida que foi o meu crescimento e a minha aprendizagem profissional na área de fotografia. 

    Praga - Vista das torres

    Praga - Vista das torres

    Praga - Vista das torres

    5) Se fosse hoje, terias escolhido de novo Praga para fazer Erasmus?
    Infelizmente ou felizmente não tive escolha com o destino, mas se convidassem-me novamente para ir de Erasmus, sem dúvida que diria que sim. Porque tanto poderia repetir os bons momentos como também tinha oportunidade de fazer coisas que ficaram pendentes.

    Praga 
    6) Imaginando que temos dois dias para ir a Praga: o que aconselhas a visitar?
    Felizmente Praga visita-se bem em dois/três dias, sem visitar museus. Mas sem dúvida que aconselharia a famosa Charles Bridge (Ponte Carlos), o castelo de Praga e a Catedral de S.Vito (lindíssima e majestosa). Aconselho também a Praça da Cidade Velha (onde fica o Relógio Astronómico), Monte Petřín, Antigo Cemitério Judaico, Dancing House e também a Praça Venceslau. Mas para além disso aconselho mesmo a visitar os parques e jardins, que são incríveis e mesmo muito bonitos, como por exemplo o Jardim Wallenstein e o Jardim Letná (no qual tem a vista completa da cidade e conseguimos ver as nove pontes que dividem Praga (uma delas a Charles Bridge).
    Não caiam no erro de subir às torres (que não é gratuito). Eles gabam-se que têm a melhor vista da cidade, mas é mentira. Caí pelo menos nesse erro três vezes. A vista mais bonita da cidade, situa-se num Miradouro que fica no Monte Petřín. Para conseguir-se ir lá temos de ir de Funicular.
    Já agora se tiverem curiosidade de sair à noite, não visitem os bares ou discotecas que se encontram nos guias turísticos, esses locais são perfeitos para vos “roubarem dinheiro” e vão acabar por não se divertirem. Vão ao bar Vzarkovna é um local fantástico e totalmente diferente do que estamos habituados a ver.

    Jardim Letná

    Jardim Letná

    Jardim Letná

    Jardim Letná
     
    7) O que consideras essencial ter na mala quando se viaja para Praga?
    Como não apanhei o Verão de lá vou acabar, se calhar, por não aconselhar tão bem, mas o calor deles é idêntico ao nosso portanto, o essencial é: t-shirts, vestidos, macacões e calções. Não podem esquecer-se do protector solar e de uns bons ténis para caminhar. Levar uma mala pequena, para facilitar nos passeios pela cidade, também ajuda.
    O inverno é que é muito diferente do nosso. É um frio seco que pode chegar aos vinte graus negativos. É essencial levar um bom casaco, de preferência de penas, mas por baixo do casaco uma camisola fina, porque qualquer local em que se entra está quente. Aconselho também umas boas botas, com umas boas meias quentes (isso é muito importante), gorros, luvas (muito importante) e gola/cachecol.

    8) É necessário uma carteira recheada quando viajamos para Praga ou conseguimos fazer uma boa vida com pouco dinheiro?
    Praga não é uma cidade cara, a moeda deles é a Kc (coroa), 27kc vale 1€. Claro que em certos museus, restaurantes ou cafés/esplanadas junto de espaços turísticos, os preços mudam. Eu sou uma pessoa de aproveitar ao máximo o que a cidade oferece, por isso gosto sempre de estar confortável com o dinheiro que tenho, sem estar sempre a fazer contas. Mas se visitarmos Praga em dois dias não precisamos de uma mala recheada.

    9) Tiveste oportunidade de conhecer outras cidades ao redor de Praga. Quais? O que mais te cativou em cada uma delas?
    Praga felizmente é uma cidade que se encontra no centro da Europa o que facilita muito a ida para outros países, a preços fantásticos.
    Um dos países que tive oportunidade de conhecer, por ter ganho (juntamente com outros colegas meus) um protejo de escola, foi Londres. Infelizmente como estava em Praga, esta viagem foi feita ao desconhecido. Os meus colegas partiram de Lisboa e a escola conseguiu-me arranjar bilhetes para eu partir de Praga. Até hoje penso e digo que não sei como tive coragem para ir sozinha de avião até Londres, apanhar um comboio durante uma hora até ao centro da cidade e ainda apanhar o famoso metro Londrino até ao hostel. Nessa altura não consegui ligar para nenhum professor ou colega meu, apenas tinha o meu famoso inglês para me ajudar. Felizmente em momentos de pânico ele funciona bastante bem e os londrinos foram muito prestáveis e ajudaram-me quando estava perdida.
    Não há muito para falar de Londres, infelizmente não tive oportunidade de conhecer muito, é uma viagem que espero fazer futuramente.
    As outras duas viagens que fiz pela Europa foram a Viena e a Berlim. Estas já fiz com os meus companheiros de casa e fiz de autocarro.
    Para Viena foram três a quatro horas e para Berlim foram cinco a seis horas. Deixo aqui o apontamento que os autocarros são baratíssimos e fantásticos, fornecem café, chocolate quente e outras bebidas, à borla, que são deliciosas - e com o frio que estava ainda souberam melhor. Também temos disponível, em cada lugar, televisão para que individualmente cada um possa ver um filme (até que são recentes), jogar, ouvir música ou então podermos ver em que local estamos e saber quanto tempo falta para chegarmos.
    Amei qualquer cidade que visitei, mas a que me deixou de boca aberta e a que me faz querer voltar mais tarde, é sem sombra de dúvida Berlim. O hostel que fiquei hospedada em Berlim foi o Mitte e em Viena foi o Do Step Inn.

    Londres

    Londres  

    Viena

    Berlim

    Berlim

    10) Qual seria para ti a viagem de sonho? Está nos teus planos para breve?
    Gosto muito de viajar portanto dar um local em concreto é difícil. Mas uma das minhas viagens de sonho é conhecer as ilhas de São Tomé e Príncipe e o Japão. São viagens que estão apenas em pensamento. Nada está para breve.

    Todas as fotografias foram tiradas pela Catarina e não podem ser reproduzidas sem autorização.

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    Há alguns anos que conheço a Catarina. E há alguns anos que ela me andava a dizer que devia ir a Macau. 
    A verdade é que fui adiando, não por ser uma viagem muito grande, mas porque não me despertava grande interesse. E por muitas vezes pensava que era um desperdício andar tanto tempo de avião sem passar pelo Japão. Ainda para mais, para ir a Macau onde não existia grande coisa para ver - pensava eu.
    Meus senhores e minhas senhoras, desenganem-se se pensam que não há nada de interessante para ver em Macau. Desenganem-se se pensam "ah ok, vamos a Hong Kong 15 dias e deixamos um dia para Macau". Não! Não façam isso. Macau não é feito apenas de casinos e hotéis. Na verdade, o que menos gostei de Macau foi mesmo essa parte "vegas style". O que me atraiu foi a parte mais tradicional. Gostei de andar pelas ruas e ver os vestígios dos portugueses; gostei dos templos; gostei dos restaurantes; gostei da confusão que há nas ruas e até achei piada às milhentas excursões de turistas da China continental.

    Dito isto, vocês perguntam-me: Kat, porque é que vale a pena visitar Macau?
    A Catarina já vos tinha mostrado 10 Razões para gostarem de Macau. Mas decidi fazer a minha publicação como turista. E aqui vão os meus dez tópicos:

    1) Vaguear pelas ruas sem problemas
    Não há nada melhor que andarem sem destino. E nunca, mas nunca se vão perder. Basta olharem para cima, procurarem o edifício do Grand Lisboa. Et voilà! É só caminharem em direcção ao edifício para chegarem ao centro. Para não falar que pareceu-me um local bastante seguro. Em momento algum tive medo de andar na rua.

    2) Locais fotografáveis
    É impossível andarem pelas ruas sem fotografarem ou instagramarem. Andem descontraidamente, sem pressas. Não andem a correr de um lado para o outro, porque não vão conseguir aproveitar. Com alguma paciência, vão conseguir óptimas fotografias de rua.


    3) A noite ainda é uma criança
    O anoitecer nestas cidades tem outro encanto. As luzes tornam-se o foco principal. E dependendo de onde estão, poderão aproveitar também para tirar boas fotografias. Os rooftops são óptimos locais para acabar a noite. Se estiver menos calor, existem também imensos bares com boa vista, modernos e aconchegantes.
    Se preferirem, podem ainda ver um dos muitos espectáculos que existem nos casinos/hotéis.


    4) Tradição asiática misturada com a portuguesa
    Entrem nos templos e vejam a parte mais tradicional de Macau. Mas claro, sempre com muito respeito, porque não deixam de ser locais de culto para eles.
    Apreciem ainda o que ficou dos portugueses. A calçada; os letreiros; a mistura de pessoas ocidentais e orientais; as lojas; os cafés e os quiosques. Existem ainda muitos traços portugueses em Macau. E é muito interessante sentirem-se um  pouquinho em casa, sabendo que estão num continente totalmente diferente do vosso.



    5) Rica em gastronomia
    Macau está cheia de bons restaurantes de todas as nacionalidades possíveis e imaginárias. Não pensem que vão encontrar apenas comida chinesa e portuguesa. Em Macau encontram de tudo. Tanto têm o mais tradicional como têm dos melhores restaurantes do mundo, com estrelas Michelin.


    6) O deslumbramento
    Tal como disse, os hotéis e os casinos não foram o que mais me atraiu em Macau. Mas a verdade é que ficamos deslumbrados com a grandeza destes edifícios. São todos monstruosamente imponentes. Cheios de luz, de brilho e de luxo. Querem ver lojas de grandes marcas? Estão no local certo.



    7) O moderno e o tradicional
    Que é uma das coisas que mais gosto na Ásia, no geral. Poderem estar num jardim tradicional, olharem em frente e verem prédios enormes. Poderem estar num templo calmo, darem dois passos e estarem numa rua movimentada. Isto para mim tem muito encanto.


    8) Andar a pé
    Conseguem ver quase tudo andando a pé. É tão bom quando estamos de férias e conseguimos ir a quase todo o lado andando. Claro que têm que apanhar transportes de vez em quando, mas na verdade, fica tudo muito perto.

    9) Proximidade a outras cidades asiáticas
    Do próprio aeroporto de Macau, fomos até Bangkok (cerca de duas horas e pouco), e através do jetfoil conseguem chegar a Hong Kong. Para não falar de outros voos para outras cidades asiáticas. Tendo em conta que sou vidrada na Ásia, seria óptimo morar em Macau ^^

    10) Porque temos amigos
    Foi a primeira vez que ficámos em casa de amigos. E foi muito bom. Ter amigos hospitaleiros é do melhor. E deixaram-me mal habituada, hehe.

    Todas as fotografias foram tiradas por mim e não podem ser reproduzidas sem autorização.

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    Inês na Irlanda
    Este mês o foco está na Inês Mendes, uma portuguesa de 28 anos que largou tudo em Portugal para fazer voluntariado em Budapeste. Hoje está por lá instalada e é Moderator em Social Media. Fiquem a conhecer um pouco desta mudança de vida e o porquê da Inês se ter apaixonado por esta cidade.

    1) Como surgiu a oportunidade de ires para Budapeste?
    Vim para Budapeste em Fevereiro de 2016 fazer um projecto de voluntariado durante 1 ano. Estava a terminar o meu contrato de trabalho numa agência de produção em Lisboa e achei que seria uma boa altura para experimentar alguma coisa diferente. Queria fazer uma "pausa" mas ainda assim manter-me ligada a algum projecto e a ideia de fazer voluntariado começou a fazer sentido para mim. Comecei a procurar projectos relacionados com sustentabilidade, ecologia, consumo responsável, etc. e acabei por encontrar o projecto para onde vim.

    2) Quem estiver interessado em inscrever-se nesse programa de voluntariado, como o poderá fazer?
    O projecto que fiz chama-se European Voluntary Service e é um programa criado e financiado pela Comunidade Europeia. É necessário ter menos de 30 anos e ser residente num país europeu. Existe uma base de dados com os projectos disponíveis e as entidades de acolhimento e a partir daí deve encontrar-se uma associação no país de residência que envia o voluntariado e que tenha um protocolo com a entidade que recebe o voluntário. No meu caso vim a partir da Casa da Juventude de Amarante.

    3) Poderias ter escolhido outra cidade quando te inscreveste no voluntariado? Porquê Budapeste?
    Na verdade não escolhi Budapeste propriamente. Escolhi em função do projecto, não tinha nenhuma preferência quanto a cidade ou país. Gostei muito deste projecto quando o encontrei e calhou a ser em Budapeste. Não sabia nada sobre a cidade nem nunca tinha cá estado.

    Budapeste

    Budapeste

    Budapeste

    4) Entretanto ficaste por aí. O que te fez apaixonar pela cidade?
    Quando o projecto terminou, ao final de um ano, decidi ficar porque senti que o meu "romance" com a cidade ainda não estava terminado. Senti que ainda queria aqui ficar, que não tinha visto tudo, não tinha estado em todos os sítios onde queria e que ainda faltava qualquer coisa. Budapeste foi um bocado amor à primeira vista e desde o início senti-me logo em casa aqui. A arquitectura e o visual da cidade cativaram-me muito, é realmente das cidades mais bonitas onde já estive. Claro que os amigos que fiz aqui e as pessoas que conheci também ajudaram a querer cá continuar.

    5) Como foi a tua adaptação à língua, aos costumes e à cidade no geral?
    Bem, a língua continua a ser um grande bicho de sete cabeças! É das línguas mais difíceis de aprender e eles até têm um ditado que diz que o húngaro é a única língua da qual o Diabo tem medo. Tive algumas aulas e fui aprendendo no dia-a-dia mas não sou nem perto de fluente. Consigo "safar-me" na maior parte das situações! A cultura é diferente da nossa, sem dúvida. Os húngaros no geral são muito menos efusivos, não falam alto, são um pouco cabisbaixos na vida. Mas como em todos os sítios, há as excepções e os meus amigos húngaros não são nada assim! Nalguns aspectos a cidade está bastante atrasada em relação a outras da Europa (Portugal incluído). Como por exemplo, nada ser digital. O passe mensal dos transportes é um pedaço de papel que mostras ao motorista do autocarro, as facturas são passadas a papel químico como nós fazíamos há 15 anos e pequenas coisas desse género. Funciona, só que funciona de forma diferente. Fez-me repensar todas as vezes que reclamei com os serviços em Portugal!

    Budapeste

    Budapeste

    Budapeste


    6) Durante este ano e meio que ficaste aí, tiveste oportunidade de conhecer outras cidades/países. Quais? E o que mais te cativou em cada uma delas?
    Durante o ano em que estava a fazer o voluntariado viajei bastante pois tinha muita flexibilidade e tempo para isso. Foi das melhores coisas que o voluntariado me trouxe. Consegui visitar muitas cidades europeias, até porque estando no centro da Europa é mais fácil chegar a sítios de autocarro ou comboio, por exemplo. Durante 2016 fui a Bratislava, Viena, Berlim, Roterdão, ao Lago de Garda em Itália, a Novi Sad e Belgrado, a Sofia e mais recentemente a Roma, Cracóvia e fiz uma pequena road trip na Irlanda.
    Itália é sempre um sítio onde adoro voltar e foi muito bom poder ir com amigos de lá que conheci aqui. A viagem à Sérvia foi interessante principalmente por ter voltado no comboio nocturno para Budapeste, que demora 8h de viagem quando de carro podes fazer em 4h! Diverti-me muito em Sofia a visitar amigos e a viajar com amigos e o mesmo em Berlim e em Cracóvia. Tanto Viena como Bratislava ficam apenas a 3h de Budapeste, por isso é sempre uma boa escolha para um passeio de fim de semana, principalmente Viena que é linda de morrer, súper imperial e austera! A última viagem que fiz, de Dublin aos Cliffs of Moher foi das minhas preferidas. A natureza na Irlanda é impressionante e hei-de voltar de certeza

    Berlim

    Cracóvia

    Irlanda

    Itália

    Viena

    Sofia | Roterdão | Sofia | Bratislava

    7) Se eu tivesse dois dias para visitar Budapeste, que locais aconselharias a visitar?
    Budapeste é uma cidade bastante grande, mas como uma boa programação é possível ver uma boa parte das atracções em apenas 2 dias. O Castelo de Buda é um dos meus locais favoritos para levar os amigos que me vêm visitar, por isso seria absolutamente o nº1 da minha lista. A Basílica de St. Stephen é uma das mais bonitas que já visitei e as ruas em sua volta são muito características e óptimas para apreciar a arquitectura dos edifícios. O Parlamento é de facto um dos edifícios mais imponentes da Europa e penso que ninguém está preparado para o quão grande é na realidade! O bairro judeu (conhecido como Distrito XVII) é o centro da animação com muitos restaurantes, bares e lojas e um dos sítios onde mais passo o meu tempo. Para quem tenha pernas vale a pena subir até à Citadella, nas colinas de Buda e ter uma vista panorâmica incrível sobre toda a cidade. E nenhuma visita fica completa sem visitar os banhos de águas termais, tanto os Gellért como os Széchenyi.

    Budapeste

    8) Quais são aqueles locais que os guias não dizem mas que são essenciais conhecer na cidade?
    O meu sítio favorito em Budapeste é a Ilha Margarida, um gigantesco parque no centro da cidade, que se prolonga por quilómetros. A ponte através do qual tem acesso é também a melhor para observar as duas margens: Pest e Buda.
    Um bar no XVII distrito chamado Lámpás, numa cave, é dos sítios mais insólitos para beber alguma coisa e ver música ao vivo. Perto há também um ruin pub chamado Ellátó Kert que vale a pena a visita.
    O metro na linha 1 é o segundo mais antigo da Europa, Património da Humanidade e é como fazer uma viagem no tempo. As estações são muito perto da superfície (desces 10 degraus e estás na plataforma, literalmente) e são muito curtas. Atravessa várias partes centrais da cidade e apesar de não se ver a cidade propriamente, vale a pena só pelo quão diferente são as estações.

    9) Qual o melhor mês para visitar a cidade? É necessário muito dinheiro para sobreviver aí uma semana?
    O Inverno aqui é rigoroso, quase sempre com temperaturas negativas e neve por isso não recomendo para quem gosta de andar a pé e várias horas. Como na maior parte da Europa a Primavera e o final do Verão/início do Outono são boas alturas. A Hungria é um país (ainda) bastante barato. Não tem o euro e o custo das coisas em relação ao que estamos habituados é inferior. Comer fora num restaurante pode custar menos de 10€ por pessoa, facilmente. Os museus ou igrejas onde se paga nunca passa dos 5/6€. Beber uma cerveja num bar, ainda que conhecido dos turistas dificilmente irá custar mais de 2€ (e isso já é muito caro!).

    Budapeste

    Budapeste


    10) Um dia que voltes para Portugal, o que trazes de melhor dessa tua experiência na Hungria?
    Penso que o mais fica são as pessoas com quem me cruzei e as viagens que consegui fazer com elas. Penso que volto também mais tolerante por ter vivido num sítio onde não falava a língua, onde a cultura não é a minha e onde tive de aprender por mim como as coisas funcionam, onde são os sítios, como posso lá chegar, como vou lá ter. Acho que me tornou ainda mais "desenrascada", coisa que os portugueses já são bastante!

    Inês na Sérvia

    Todas as fotografias foram tiradas pela Inês e não podem ser reproduzidas sem autorização.

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    No "Em Foco" deste mês falamos com o Pedro Ribeiro, um engenheiro português, que vive em Macau e gosta de aventuras e contacto com a natureza. Tendo regressado há pouco tempo do Alasca, a sua viagem de sonho é atravessar o continente americano de bicicleta.

     
     Alasca

     Alasca


     NOTA: Todas as fotos deste post são do Pedro e não deverão ser reproduzidas sem autorização.

    1 - Como te defines enquanto viajante?
    Considero-me alguém que procura aventuras arrojadas em locais que permitem um contacto íntimo com a natureza e longe da civilização. Quanto menor for a marca da passagem pelo homem e quanto mais intacta estiver a natureza, mais apelativo se torna o destino para mim.

    Nas viagens e no meu dia-a-dia, aplico muito o lema “Não tires mais do que fotos, não deixes mais do que pegadas. Não leves mais do que memórias, não mates mais do que o tempo”.

    Enquanto viajantes, somos também embaixadores do nosso país, sendo assim fundamental respeitarmos as pessoas, costumes e valores dos locais que visitamos.


    Nova Zelândia

    Nova Zelândia

    2 - Qual foi a tua primeira viagem? Que memórias guardas dessa viagem?
    A primeira viagem que fiz e me deixou belas memórias foi com a minha família às Filipinas por volta de 1985. Fomos a Puerto Galera e às cataratas de Pagsaŋjan, onde foi filmado parte do filme Apocalypse Now. Ainda hoje me derreto quando vejo fotos dessa viagem, até porque têm bastante valor sentimental.
    Na altura, adorei ambos os locais, mas regressei há poucos anos a Puerto Galera para mergulhar e não gostei nem um pouco. Abaixo ou acima de água, o turismo matou aquele destino.

    3- Qual foi a viagem que mais te marcou e porquê?
    Todas as viagens nos possibilitam experiências muito específicas da própria viagem e que acabam sempre por deixar ficar algo na memória. Mas é igualmente verdade que há umas mais especiais do que outras.
    Dito isto, a viagem que fiz de bicicleta pela Bolívia em 2006 foi a mais marcante que já fiz pelas paisagens, contrastes de cores, alta montanha, vida animal, calor humano dos locais, vulcões, lagoas e lagos de sal.


    Bolívia

     
    Bolívia



    Bolívia

    4- E aquela viagem que queres mesmo fazer e ainda não tiveste oportunidade?
    Esta é fácil. :-) Pedalar toda a Rodovia Pan-Americana, i.e., atravessar todo o continente americano de bicicleta, arrancando de Prudhoe Bay no Alasca e acabando em Ushuaia na Argentina. Um projecto entre 40 a 50000km e talvez ano e meio.

    5 - Quais são as três coisas sem as quais nunca viajas?
    Passaporte, mochila e um plano aventureiro ambicioso.



    Índia

    Guatemala

    6 - Como concilias a profissão de engenheiro com o gosto de viajar?
    A minha família podia responder por mim, pois acaba por ser “sacrificada”... Quer isto dizer que vou pouco a Portugal porque oriento as férias para as minhas viagens pessoais.
    Tento sempre conciliar férias com feriados públicos, permitindo-me assim maximizar o tempo de cada viagem. Em suma, com alguma habilidade, consigo fazer 3 a 4 viagens anuais que vão de 1 a 2 semanas.
    Embora isso em nada se assemelhe aos 6 ou 12 meses de milhares de viajantes, a verdade é que me permitem fazer umas aventuras muito interessantes.



    Indonésia


    7 - Recentemente estiveste no Alasca. Como foi essa experiência?
    Foi uma experiência única. O Alasca é um local muito marcante pela vida animal e pelo quão selvagem é.
    Em quase todas as viagens que faço, exponho-me a determinados riscos porque procuro sempre zonas remotas e longe da civilização, dependendo assim apenas de mim próprio. Porém, estivesse eu numa zona deserta do Tibete ou da Bolívia e tivesse um problema grave, não me conseguindo mexer, acredito sinceramente que seria uma questão de 1 ou 2 dias e alguém passaria a tempo de me encontrar vivo.
    No Alasca, não! Uma pessoa está entregue a si própria e é bom que esteja consciente e preparado para o que se propõe fazer ou a aventura pode tornar-se inesquecível pelos piores motivos.
    Entre outras aventuras, fiz uma viagem a solo de kayak pelo Glacier Bay de 5 dias e não vi vivalma! Uma viragem e entrava em hipotermia no espaço de minutos! Seria claramente o princípio do meu fim. Fiz também uma longa caminhada de vários dias e tenho poucas dúvidas que se tivesse um problema que me imobilizasse, seriam os ursos os primeiros a encontrar-me porque não vi absolutamente ninguém. Em suma, o Alasca é lindo de morrer, mas é selvagem e inóspito e não perdoa erros.



    Alasca

    Alasca

     Alasca

    8 - Achas que a língua é uma barreira para viajar para um determinado país?
    De modo algum. Nunca o foi e certamente não será agora, já que até os telefones falam por nós.


    9 - Se uma pessoa quiser viajar mas não tiver possibilidades económicas, qual o melhor conselho que lhe podes dar?
    Viajar não tem que ser proibitivamente caro. Dependendo do destino, o comboio ou autocarro podem ser alternativas ao avião (mas isso requer tempo).
    Se o avião for indispensável, bilhetes comprados com grande antecedência e para dias úteis tendem a ter preços atractivos. Uma vez no destino, não há nada como viver como os locais, i.e., deve-se apanhar transportes públicos e comer nos restaurantes frequentados pela população. Na verdade, eu considero isso fundamental porque torna
    toda a experiência muito mais real e genuína.
    Se houver possibilidades de se acampar, o alojamento também fica em conta. Com tudo isto, o verdadeiro custo resume-se à viagem, uma vez que relativamente ao resto, talvez seja mais caro ficar em casa.


    Noruega


    10 - Podes dar 3 dicas para quem quer começar agora a viajar? 
    Primeiramente, a pessoa tem de se conhecer bem e saber do que gosta, ou seja, se é de montanha, praia, cidade, arquitectura, neve, etc. Em função disso, deve começar por um destino que não ofereça grandes dificuldades, nomeadamente logísticas. Depois, convém escolher um período do ano em que o clima seja favorável. A partir daí... Bom, a partir daí, o céu é o limite!

    Indonésia


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    Somos duas amigas portuguesas com a mesma paixão por viagens. Este blog surgiu na nossa necessidade de documentar as nossas aventuras pelo mundo fora.Lê Mais

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